Sobre a perspectiva e a parcialidade

fevereiro 3, 2010 at 5:56 pm | In 1 | Leave a Comment

Todos sabem. Foi rodado um filme sobre o presidente em gestão.
Reclama-se que as pessoas vão logo polarizar para o bem ou para o mal a respeito do filme, de acordo com suas posições partidárias. Se alguém é partidário, só pode opinar tomando partido, se não, ele seria imparcial. Agora, a crítica à polarização é inócua. Não atinge os parciais, porque, se eles se achassem parciais, não o seriam. A crítica não produz efeito nas pessoas que pensam parcialmente e menos ainda incide nos imparciais. Indivíduo de visão não precisa ser avisado da existência de barricadas parciais, porque ele só conseguiu se tornar imparcial após ter consciência da parcialidade. Homem honesto nunca pensa de forma partidária. A verdade não é propriedade de um partido, como não é de um homem. Às vezes, está com um partido, às vezes com outro (ou com nenhum deles). Um homem honesto é sempre apartidário, porque não quer apoiar uma mentira quando o partido estiver errado. A essência da arte não é ver a verdade, mas as perspectivas em que se enxerga a realidade. A arte nunca ensinou a verdade, mas a verdade da perspectivação, isto é, o respeito a todas as opiniões e/ou a relativização da opinião própria. A política por seu turno fala de verdades absolutas e, portanto, mente, porque a política é a arte do possível. Visto que a política mente, a arte só pode encontrar verdade em falar de políticos se apontar seus gestos e decisões refratados em pontos de vista. E mais nada. Quanto mais um artista torna absoluto o comportamento de um político, mais o artista mente. Alguns sujeitos que têm a arte por ofício mentem, porque a levaram a falar de verdades absolutas, ou porque afirmaram em suas obras que a verdade não passa de perspectiva. Dois casos de artistas, dois políticos enrustidos.

BINHO

(postado no digestivocultural.com )

O espelho do corredor

janeiro 11, 2010 at 11:22 pm | In Crônicas Diárias | Leave a Comment

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And so, this is Cristmans. And what have you done? Disse a bela canção. Sad the beautiful song. E o que você fez, Zé Rubens?
A ansiedade já me pega às primeiras horas do dia, pois tenho um compromisso para hoje, à tarde, preciso de um café, preciso urgente de um café! As pessoas, meus amigos e parentes, pediram para eu tocar na noite de Natal um trecho de A Paixão Segundo São Mateus. Eles adoram me ouvir tocar e preciso ensaiar a peça ao violino. Não posso dar bobeira, é a maior obra do maior compositor da história da música.
Barbeio-me de qualquer jeito, deixo o banheiro, escuto os cachorros latirem, olho para fora e não vejo ninguém. Chego à sala tão entusiasmado que pareço não reconhecer o ambiente de casa. Procuro me familiarizar, meus olhos caindo na foto do casamento de meus pais, esmaecida, num porta-retratos inclinado, com babados nas bordas. Na fotografia ao lado, o batismo de meu primogênito e, sobre a lareira, o catecismo de meu caçula. O relógio chama minha atenção por seus digitais fosforescentes. Dezembro, fim. 2009 anos passados da era cristã.
Olho no espelho do corredor e vejo minha imagem. Ao fundo, sobre meus ombros, enxergo um crucifixo fincado na parede. E o que você fez, Zé Rubens? O cara só viveu para que fizéssemos esta pergunta a nós mesmos… Toda sua vida foi dedicada a isto, e mais nada.
Vasculho na folhinha do ano que vem à procura dos dias vacantes. Corpus Christi, dia da Padroeira, festas juninas, Finados, Natal, hmm, não será um ano tão bom em feriados. Sento-me à mesa de café que se vê pronta. Pagava a diarista só para isto, fazer a mesa de café, com exceção da quarta, quando aparecia para limpar a casa. Quis contar para alguém sobre a festa de hoje à noite, mas ela já havia saído.
Olho para a foto de Thiago afixada na parede da copa e sinto uma saudade dolorosa. Meu filho está ao lado de duas loirinhas, enrolados numa bandeira branca com uma cruz azul no meio. A geleira atrás deles. Fico na dúvida se estão na Suécia ou na Dinamarca. Tento me lembrar do país cuja bandeira acoberta meu primogênito, mas desisto. Quase todos os países da Europa têm uma cruz assim. Mudam apenas as cores.
Ainda meio chumbado, deixo cair a xícara no chão. “O que você fez, Zé Rubens?” quase posso ouvir Marisa dizer, a voz vindo da cozinha. Sua voz irritada, como se eu tivesse feito algo imperdoável… Cuido de limpar os cacos e, ao me levantar, desejo ardorosamente dar com os olhos dela fitando-me de cima, mesmo com aquelas pupilas cheias, quais de fera em bote. Nesses momentos, tinha uma vontade louca de lhe dar um beijo. Mas seu rosto apressado com certeza iria me desautorizar. Só daria um selinho e diria alguma desculpa, tipo: agora, não, estou atrasada… 2009 anos passados. E estamos atrasados.
Ela era judia, mas se converteu ao catolicismo. Tekblek, seu nome paterno. Materno, Pereira. Marisa Pereira Tekblek. Havia a sina de sua família de se converter, de se tornar cristão-novo… Não coloquei o nome dela em meus filhos, só o meu. Ela concordou, sem relutar. Vi mesmo um lampejo de alegria, quando lhe disse que registraria Thiago e Felipe sem o Tekblek. Jamais me disse, mas desconfio de que ela queria que os filhos nunca se lembrassem de sua ascendência judia, para não serem maltratados, como foram os pais de Marisa, e os pais de seus pais. O irmão dela se revoltou. Nunca veio, claro, comemorar o Natal com a gente.
“Foi este Jesus”. Disse ele um dia, com empáfia. “Estamos no mundo dele. Por isto, Marisa mudou o nome dos meus sobrinhos”. Este Jesus… Deus, nunca tinha pensado nisso. Jesus era tão familiar em nossas vidas que chamar de “este Jesus” soava crítico, irônico… Me interpus, critiquei a postura radical de meu cunhado. Indaguei-lhe como podia condenar a irmã por coisa tão pouca. Ele disparou que não a julgava de nada, ela era livre, o povo judeu foi preso por toda a existência. Não seria ele quem a iria obrigar a coisa alguma. Eu retruquei que ele havia negado a própria religião, quando era mais jovem. Quem nunca errou, que atire a primeira pedra, revidou. Todos à volta lhe deram razão, inclusive seus pais ortodoxos, e ele mostrou uma expressão gloriosa por ter me feito calar.
É urgente me apressar. Além de preparar a peça ao violino, preciso comprar uns últimos presentes que faltam e, sobretudo, a estrela que encimava a árvore natalina, o maior gosto de meu caçula. Achei ouvir vozes vindas do portão…
Ao fim da tarde, repasso várias vezes o trecho musical e vou ao shopping em seguida. Volto com os presentes e os coloco abaixo da árvore, junto à manjedoura e os três magos.
Meus convidados adoraram a noite de Natal. Eram todas pessoas estranhas, mas nos demos muito bem na noite de Natal, o que prenunciava uma sincera e duradoura amizade. Adoraram também a peça que ensaiei. Mas, na verdade, passamos mesmo cantando músicas populares a madrugada inteira. And what have you done, com toda a alegria e isenção, o “you” regido em segunda pessoa.

ZÉ RUBENS VITALLI

Roberto da Contina x Cecília D’Ávila Returns

dezembro 19, 2009 at 2:35 pm | In Aforismos Desaforados | Leave a Comment

Roberto – O texto do último post é até bem escrito, com pontuação e tudo. Acho que as leitoras ficaram incomodadas com o tema. De fato, Cecília não devia ser assim tão sincera sobre o drama feminino…

Cecília – Sua ironia, Roberto da Concina, a respeito das mulheres, deixa a impressão de que estamos desesperadas atrás de vocês. Ah, quanta pretensão!

Roberto – Atrás de nós, não. De um casamento.

Cecília – Se sabe isso, prova que alguns homens já entenderem que não são a última bolacha do pacote. E você se contradiz. Vive afirmando que as mulheres vivem para os homens.

Roberto – Não disse que as mulheres vivem para nós, mas por nós. Porque, se você admite que não somos o mais importante, prova que procuram um pai para seus filhos.

Cecília – Bom, se só estamos atrás de um progenitor, temos um diferencial sobre os homens, não? Pensamos num lar, em filhos… Vocês só querem relação e nada de relacionamento. Quem você acha que está na rabeira da cadeia evolutiva?

Roberto – O instinto materno é tão instintivo quanto o sexual.

Cecília – Mas este instinto feminino dá como fruto o amor sublime da maternidade.

Roberto – Olhe bem que o instinto sexual também dá, como muito fruto, a maternidade.

Cecília – A diferença é que a mulher deseja o fim e o homem o meio.

Roberto – Gosta de questionar tudo, não? Se quiser, provo o que disse de uma forma inquestionável.

Cecília – Você seria a última pessoa do mundo com quem eu sairia. É um evidente misógino, isto é, um cara que tem aversão ao que é ligado ao feminino.

Roberto – Sei bem o que é um misógino, ó Minerva.

Cecília – Demorou para responder esta mensagem, não? Foi procurar num dicionário?

Roberto – E você sempre responde na hora, engraçado, não? Só respondo agora, porque saí. Fui me divertir na madrugada, que é o que fazem pessoas sem problemas de relacionamento. E fiquei tão preocupado com o que disse que provei várias vezes se eu era misógino (sem querer me gabar, é claro). E você, ficou esperando no computador?

Cecília – Gostar de mulher vai muito além de se deitar com elas. Às vezes, ao contrário, gostar delas é justamente não se deitar. Talvez, eu esteja exigindo demais de você, mas, em certas ocasiões especiais, tudo o que uma mulher espera é que o homem mostre sentimento em não fazer. Acho que a gente se frustra com vocês por isso. Preferem mostrar-se viris que humanos…

Roberto da Concina – A gente é insensível, a gente usa vocês, tá certo. E quando somos enquadrados no tamanho família, feito móvel embutido?

Cecília – Fazemos isto porque perdemos a esperança de encontrar uma casa mobiliada.

Roberto – O que leva uma mulher sensível a agir como os homens? Esperamos que vocês nos ensinem como preencher a casa sem mobília. Mas nos últimos tempos, agem como nós e vêm da rua sem limpar os pés. Acho que o papel de ensinar é de quem tem mais sensibilidade.

Cecília – O papel dos dois é o encontro e, então, os dois têm que andar.

Roberto – Mas você não sai deste computador, hein? Numa hora dessas… Escuta, se você diz que a mulher é mais sensível, cabe a ela andar bem mais depressa. Cabe a ela ensinar o homem a procurar relacionamentos que tenham mais sentimentos, como disse. Só que ela não faz isto e, ainda por cima, anda para trás, desaprende. Age como os homens, entra nos relacionamentos por comodidade, sensualidade e tudo que envolve pouco sentimento.

Cecília – A culpa não é da mulher, mas de toda uma sociedade que supervaloriza as coisas externas, superficiais. Uma cultura milenar não muda de uma hora para outra. O que você quer? A mulher não pode deixar de apontar a falta de sensibilidade masculina. É o papel dela. Assim como é papel dela fazer uma autocrítica mais severa. Nós mulheres começamos a disputar o mercado de trabalho, mas não precisamos nos tornar mercadoras de sentimento. Só que a gente vive num mundo tão difícil, tão louco, que às vezes a razão nos falta…

Cecília – … não parece existir resposta.

Roberto – Ainda está aí?

Cecília – Estou.

Roberto – Sabe, parecemos dois bobos, perdendo tempo com discussões… São só meia-noite e meia e viu que está fazendo uma noite maravilhosa? Quente…

Cecília – E como!

Roberto – Podemos sair um pouco. Respirar o ar noturno. Dizem que a noite é boa conselheira…

Cecília – Sim. Só há uma maneira de nos reencontrarmos… A noite vai cuidar de tudo.

Roberto – Te apanho aí, na Vila Madalena. Só que meu carro não vai te impressionar como do playba da crônica.

Cecília – Quero ser impressionada por quem dirige.

Roberto – Tô passando aí.

Cecília – Estou esperando.

Tamanho família

novembro 25, 2009 at 7:28 pm | In Crônicas Diárias | Leave a Comment

Fui vestida para matar, receando assustar o moço. Não gosto de decotes, mas meus seios se mostravam com vida própria. Esperei na calçada de casa, feliz por não encontrar nenhum conhecido.
Quando me viu, o cara estava tão nervoso que piscou para o carro e olhou para mim. Era um big de um carrão. Zero, caro, lustrado como um peito de estátua. Pelo tamanho do auto, imaginei que ele fosse me levar para jantar no Waldorf-Astoria. Mas me levou para comer no Drive thru. É, isto mesmo, a gente fez um lanche no auto. Reclamei, mas ele me disse que faríamos um pick nick e cedi. Verdade que o sujeito não economizou. Pagou tudo o que eu queria, sanduíche, sunday, milk shake, fritas, tudo large, tamanho família. Eu lhe disse que meu sobrinho adorava os brindes ganhos nos lanches e ele não hesitou. Pediu cinco tipos diferentes, para dar ao garoto e me deixou cheia de lembrancinhas. Pagou a conta alta com o cartão de crédito como quem paga cigarros. American Express. Passamos uma hora a rodar pela cidade, o carro seguindo pelas ruas sem destino, o câmbio roçando minha perna toda a hora e eu me fazendo de desentendida. Estacionou na pracinha do Por do Sol e, pela vista panorâmica, me lembrei de que estava em São Paulo. O moço argumentou que fazia uma noite quente e era bom ficar ao ar livre com moradora da Vila Madalena. Achei espirituoso e, como estava naqueles dias em que um chaveiro escrito oi comovia, fiquei tocada. Os beijos esquentaram e eu preferi o ar condicionado. O carro saiu cantando os pneus. Ao invés de me levar a um motel, me levou a um Drive in. Drive in!? Ninguém mais vai a um Drive in! Fiquei ofendida. Se ele posava de burguês, por que achava que podia ser diferente com a mamãe aqui? Usou um argumento demolidor: um quarto de hotel era impessoal. Sabem como é, né, garotas? Nesta montanha russa – ou roleta? – que é a vida amorosa, na hora da subida é salto alto, na descida, é precipício. A fila anda e a gente ri com arrogância, no topo, ri com humildade, na queda, grita como uma serial vítima e não enjoa quando o ciclo já passou. E a gente aceita ir de um drive thru a um drive in. In thru. Lá estacionados, pensei que a história do drive fosse ter fim, mas ele colocou um cd no disc drive de seu carro. Claro que o automóvel não tinha um aparelho de som, tinha um computador. Colocou uma música bate estaca para matar vampiro da noite e parecia se deleitar com a música, enquanto berrava o refrão I never wanna die. Eu me perguntando, pra quê? Sente só o som, ele suspirou. Quatro caixas acústicas e oito tweeter.
Não aguentei mais. Virei para ele e lhe perguntei se aquela era a sua primeira vez. Ele: não, saiu da loja faz alguns dias já.

Cecília D’Ávila

(postado no www.blonicas.zip.net )

Olhai os lírios do campo, eles morrem e apodrecem

novembro 23, 2009 at 11:38 pm | In Aforismos Desaforados | Leave a Comment

Eu abro o sétimo selo sem cruz e sem credo, abaixo de tudo que jaz, mas tenhais o meu corpo e minh’alma e sejais acolhidos, infados queridos alados amados ou não, eu brinco e sinto e sonho, eu tão, e o cão desalmado de tantos desvãos, viagem sem rota ou rumo rumores de águas sem mágoas andando, arroto, cuspindo sem réguas nem léguas ou linhas ou guias, gurus, eu vous por tudo que é campo e rimo o que sois, vereis caso os sóis destes prados vierdes um dia a ver e comer nos meus pratos com vinhos e pinhos em piras pra pias lascívias, com dó sem o ló insosso, ainda que desça indigesto e vireis os rostos pra além destes textos sem cestos em sestros sem fados fatos adágios plágios sábios, pois eu sou o ser onde finda o enredo sem crença, o homem sem domo nem medo do fim onde sento e, se sento, o faço por bafo intrépido tétrico, enfrento com frêmito o fim sem começo, a sorte poente, pó e só, e dó sem o dó, ninguém pra semente, o vácuo do havido, o fim sem além e o aquém sem sentido…

Exúbero

monólogo para dois atores

novembro 14, 2009 at 2:50 pm | In 1 | Leave a Comment

Thiago

Minhas mãos se unem à mesa
Mas reza alguma me vem à memória
Mágoas me riscam na fronte
E chorar por ninguém com história

Daclô

A sua vida será plena
Os seus passos serão dados
Os seus pés, alados

Thiago

Ainda sou como um menino
Que deixa no vidro o beijo sonhado
Roi-me a fome de ventre
Embora mulher tenha ao lado

Daclô

Sua fome será farta
Seu pranto, limpo
Seu canto, bendito

Thiago

Sinto-me sempre a caminho
E sempre sozinho, cercado de gente
Meus olhos procuram ao longe
Sábio, monge, fonte ou vertente

Daclô

Sua sede terá termo
Sua busca, finda
Sua terra, vista

Thiago Daclô

Canto a amigos

outubro 22, 2009 at 3:51 pm | In Crônicas Diárias | Leave a Comment

Ah, queridos e amados amigos
Quero dizer o quanto sou grato
Não só por terem vivido comigo
Ou terem estado ao meu lado

Me livraram dos jogos de amar
Me salvaram de olhos errantes
Quando a mim não podiam avisar
Ou alcançar por estarem distantes

Porque hoje é meu o seu manto

Seu olhar e conselho direto
Agradeço por isso também
Mas ainda é maior o seu veto
Pelo o que dentro contem

Me fizeram sentir o sentido
Que distingue a emoção e a dor
Jamais me esqueci do ouvido
E caí em promessas de amor

Porque hoje é meu seu encanto

Dois se amam se mil amaram
E estou só para estar com alguém
Porque antes vocês me mostraram
Que amo a todos ou amo a ninguém

Da existência parece um decreto
Que amigos ensinam em presença
Com palavras, gestos e afeto
Mas no mais nos guiam em ausência

Porque hoje é seu o meu canto

Um imenso cetáceo emerge de dentro de mim?

outubro 11, 2009 at 8:44 pm | In 1 | Leave a Comment

Um imenso cetáceo emerge do nada, bate de rijo em todas as línguas de ondas e mergulha.

Clarisse pegou um táxi em Mairinque e parou no aeroporto internacional de Guarulhos.

Tudo é imobilidade, o silêncio é perfeito e todos se veem no espelho d’água o qual pressentiam espatifar-se em instantes.

Desceu do avião às cinco da manhã, comprou o jornal e apanhou o metrô para o Central Park.

Esparge jatos d’água que varrem canoas e, de seus dentes maciços, escorrem cachoeiras de gosma verde, arreganhando o desespero nas barcaças.

Leu todo o jornal, deixou-o no banco para que outro pudesse ler e seguiu para Times Square.

Irrompe água afora num pulo magnífico, deixando em todos à praia um misto de horror e deslumbramento.

Olhou para a mãe, alquebrada sobre o sofá, televisão ligada, com um chuvisco tão grande que mal se viam as imagens.

Volta a estilhaçar a superfície da água, gira no ar feito golfinho e borrifa para o mundo todo gotas de sal incorrupto.

Por que veio agora? Você sabe que seu pai não está? Volte na calada da noite como de costume.

Me perdoa, mãe.

CRIS

Mulheres de classe são mais sexy

outubro 1, 2009 at 6:10 pm | In 1 | 1 Comment

Vejam isto, garotas deste Brasil varonil. Segundo conceituada revista que todo o ano revela enquête realizada entre os homens a respeito de quais são as mulheres mais sensuais do planeta, foram mais votadas as celebridades abaixo. Ressalto que é o resultado da soma dos dez anos de pesquisa. Assim, as colocadas nos cinco primeiro lugares necessariamente apareceram todos os anos e em posição de destaque:

 1. Ana Paula Arosio

2. Xandy

3. Adriane Galisteu

4. Ivete Sangalo

5. Angelina Jolie

Com isto, minhas queridas, podemos constatar o seguinte:

1. Pelo menos três das quatro primeiras colocadas são reconhecidas pela classe e distinção;

2. A classe é tão importante para os homens que nem foi páreo para elas a atriz Angelina Jolie, considerada por muitos ao redor do planeta como a mulher mais bela do mundo;

3. A lista completa deve sair em novembro. Mas sabemos que, além das campeãs, existe ainda uma lista interminável de sexys chiques, como as apresentadoras Angélica e Eliane, ou as atrizes Alline de Moraes e Paola de Oliveira, entre outras altezas;

4. Se os homens identificam a sensualidade nas mulheres refinadas é porque elas a têm, a despeito de muitos duvidarem. Tanto que os homens as consideram as mais sensuais. O caso é que as refinadas têm controle sobre seu desejo, ao contrário da maioria das mulheres, nas quais ele se encontra à mercê do corpo, que é volúvel portanto. As elegantes devotam sua volúpia a quem querem, em geral, a um parceiro que se comporta com elas de modo quase sempre análogo;

5. A pergunta insinuosa: onde estão as fêmeas de curvas voluptuosas, as tais que se despem e mostram seus corpões, os quais, apesar de estonteantes, não conseguiram desbancar as distintas que, diga-se de passagem, nunca tiraram a roupa em revistas masculinas?

6. Aqui temos a prova mais definitiva de que a sensualidade vai muito além da nudez de um corpo e, até, da sensualidade explícita;

7. Vou além: a mulher se torna mais atraente, fisicamente, por seus valores interiores, essenciais;

8. A elegância está em alta. Sempre esteve. Afinal, que homem que, de passagem à frente de igreja de prestígio, não para, a fim babar pela beleza de gala das mulheres?

9. E talvez não seja o mistério uma das armas mais preciosas da atração feminina exercida em nós? Escancarar toda a sensualidade não é abrir mão de um dos elementos deste mistério feminino que tanto nos seduz?

10. A surpresa de encontrar a volúpia em quem não imaginávamos ser encontrada e o deleite daí decorrente não é tudo de melhor? E o que há de mais fantástico e prazeroso que sermos o escolhido para o desvendamento de tais mistérios por quem nos ama? E, se a sedução não é consagrada ao parceiro, que mais pode sedimentar uma relação dual?

Binho

Pois me inebrio de poesia

setembro 26, 2009 at 6:14 pm | In Crônicas Diárias | Leave a Comment

- Não acredito no que estou vendo, você por aqui?

- Oi, e aí!! Quanto tempo, onde cê tem andado?

- Ué, estou no mesmo lugar. Você sumiu, meu!

- A gente se dava tão bem… E teu pai?

- Melhorou um pouco por estes dias.

- Márcia disse que tava pior?

- Cê encontrou ela onde?

- Acho que foi na rua.

- Passa lá em casa!

- Cê também, vai lá.

- Abraço na esposa.

- Outro na tua

- Mando, sim.

- Passa lá.

- Passo. 

- Até.

- Té

Cristina

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